sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Calendario quaresmal


"Por isso a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração." (Oseias 2, 16)


Queridos amigos,
Estamos nos aproximando de mais uma quaresma. Tempo fecundo de nosso calendário litúrgico.
Fecundo porque se nos dedicarmos a proposta de conversão que ele nos trás, veremos com certeza mais a frente, um desabrochar de flores em nossa espiritualidade. Sim, toda flor antes de desabrochar precisa de cultivo e preparo para que depois germine a semente e siga o fluxo de sua vida: flores e depois frutos!
A quaresma é exatamente este tempo de cultivo, preparo da terra e morte da semente.
Quero propor a vocês um exercício espiritual durante os quarenta dias de nossa quaresma. São exercícios simples, baseados na pequena via de Santa Teresinha; pequenas práticas para realizarmos dia a dia e nos ajudar em nossa conversão; em outras palavras poderíamos chamar de um calendário quaresmal.
Talvez você tenha inúmeras atividades de oração durante a semana, não tem problema, por ser coisas simples podem ser acrescentadas no seu dia a dia, transformando sua quaresma em algo mais espiritual.
Talvez você esteja um pouco acidioso ou distante da oração. Talvez você se sinta indisposto para recomeçar... Seja qual for o estado de seu coração, a quaresma é uma ótima oportunidade de tentar, ainda mais assegurados pela espiritualidade de santa Teresinha que é o caminho do pequeno e do humilde.
Para entender melhor a proposta do calendário, você pode antes ler o artigo em nosso blog sobre a pequena via de Santa Teresinha.
Então vamos lá:
Dia 22/02: Vou fazer uma lista dos meus pecados e apresentar a Deus na missa de cinzas, pedindo a ajuda do Espirito Santo em conseguir melhorar.
Dia 23/02: Vou meditar nas virtudes de alguém que eu esteja magoado.
Dia 24/02: Farei um sacrifico por amor a Jesus, deixando de comer algo que gosto, ou se me for possível jejuando.
Dia 25/02: Rezarei um mistério do terço pelas pessoas que se afastaram da Igreja.
Dia 26/02: Farei um agrado para alguém de minha família, uma visita, uma partilha, etc.
Dia 27/02: Começarei a semana sem me queixar, agindo como se fosse sexta-feira.
Dia 28/02: falarei somente bem das pessoas.
Dia 29/02: Farei um ato de caridade secreto.
Dia 01/03: passarei em uma Igreja pra mandar um beijo pra Jesus Sacramentado.
Dia 02/03: Farei um sacrifício e meditarei em uma estação da via Sacra.
Dia 03/03: Rezarei um mistério do terço em reparação aos  desagravos ao Imaculado Coração de Maria.
Dia 04/03: rezarei com minha família antes da refeição, rezarei por eles na missão dominical.
Dia 05/03: começarei minha semana meditando na misericórdia de Deus ao invés de me queixar de minha vida.
Dia 06/03: Meditarei em algum versículo do salmo 50.
Dia 07/03: Darei alguma coisa minha para alguém.
Dia 08/03: Farei 15 minutos de adoração a Jesus, se possível na Igreja, se não em casa, de joelhos no meu quarto pensando em Jesus Eucarístico.
Dia 09/03: Farei um sacrifício e rezarei mais uma estação da via sacra.
Dia 10/03: Rezarei um mistério do terço (ou um terço) pelos sacerdotes.
Dia 11/03: Convidarei algum amigo ou familiar para ir comigo a missa.
Dia 12/03: Lerei uma passagem do Evangelho da paixão do Senhor.
Dia 13/03: Irei partilhar com alguém sobre a bondade de Deus.
Dia 14/03: Ajudarei alguém enfermo.
Dia 15/03: Ajudarei alguém que não conheço.
Dia 16/03: Colocarei diante de Jesus as pessoas que me magoaram e pedirei a graça do Perdão.
Dia 17/03: Rezarei um mistério (ou um terço) oferecendo por meus amigos.
Dia 18/03: Farei uma peregrinação religiosa, participando da missa em outra paroquia que não conheço.
Dia 19/03: Irei escrever uma carta a Jesus.
Dia 20/03: Passarei o dia sem me queixar e sorrindo para as pessoas que encontrar.
Dia 21/03: Darei um presente a alguém especial que estou distante.
Dia 22/03: Mandarei um e-mail, darei um telefone o escreverei uma carta para alguém que tenho saudade.
Dia 23/03: Farei jejum e rezarei a via Sacra.
Dia 24/03: Rezarei um terço para conscientização dos meus pecados e para os que estão em pecado mortal.
Dia 25/03: Na santa Missa rezarei pelas mães gestantes e crianças abortadas.
Dia 26/03: No almoço agradecerei a Deus pela providencia e conversarei com os colegas sobre a providencia de Deus.
Dia 27/03: Chamarei algum amigo para fazer uma caridade comigo.
Dia 28/03: Rezarei uma Ave-Maria e um Pai Nosso pelo papa e pela Igreja.
Dia 29/03: Farei adoração a Jesus Eucarístico.
Dia 30/03: Farei três sacrifícios pela minha conversão, um em nível do ter, outro do poder, outro do prazer. Exemplos: ter- doar algo que tenho; poder-dar a vez a alguém, não querer ter razão em uma discussão; prazer- jejum de comida, diversão, etc.
Dia 31/03: Rezarei um terço pra abrir meus olhos aos meus pecados.
Dia 01/04: Irei à missa de Ramos e farei a procissão com o ramo nas mãos, oferecei o ramo a alguém que precise de oração.
Dia 02/04: Escreverei uma carta aos meus amigos e familiares agradecendo por me amarem e estar ao meu lado.
Dia 03/04: No almoço sacrificarei alguma coisa. Meditarei uma estação da via Sacra.
Dia 04/04: No almoço sacrificarei alguma coisa. Farei uma caridade em segredo.
Dia 05/04: Participarei da missa e farei um ato concreto de perdão a algum que me magoou ou que eu tenha magoado.
Dia 06/04: Rezarei toda a Via Sacra na Igreja.
Dia 07/04: Rezarei um terço pelas dores de Maria e pela situação do mundo.
Dia 08/04: ALEGRIA. Serei grato a Deus por pagar os meus pecados

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DEUS É E BASTA!


Hoje vou partilhar um pouco da minha oração e consequentemente da resposta da providencia de Deus que veio em socorro as minhas angustias.
Realmente apenas Deus tem o poder de nos abrir para a verdade libertadora. E mais uma vez apenas o amor pode dar sentido a todo o sofrimento. O amor é uma fagulha de Luz que quando lançada sobre as trevas da dor, consegue transformar todo amargor em doçura, ate mesmo o sofrimento se torna agradável, e as lagrimas que são o sangue da alma se tornam néctar de precioso vinho colhido no cálice do sacrifício.
Um texto que tantas vezes já li e reli hoje se tornou para mim, pela oração e pelo amor de Deus, essa pequena fagulha de luz.

Francisco encontrava-se totalmente atormentado pelos rumos que tomavam a fraternidade. Os irmãos pareciam cada vez mais se desviar dos propósitos iniciais da ordem. Tudo parecia ilusão e escuridão.
Clara foi então encontrar pai Francisco e disse-lhe assim:

Pai Francisco, foste um assolador implacável. Queimaste, varreste, demoliste casa, dinheiro, pais, posição social. Avançaste para profundidades maiores: venceste o ridículo, o medo do desprestigio. Escalaste o pico mais alto da perfeita Alegria. De tudo te despojaste para que Deus fosse teu Tudo.
Mas, se agora reina alguma sombra em teu interior, é sinal que estás preso a alguma coisa e que Deus ainda não é o teu Tudo. Daí a tua tristeza. Em resumo, é sinal que catalogaste como obra de Deus o que, na realidade, é obra tua. Para a perfeita Alegria só te falta uma coisa: desapegar-se da obra de Deus e ficar só com o próprio Deus, completamente despojado.
Ainda não és completamente pobre, irmão Francisco, e por isso ainda não és completamente livre, nem feliz. Solta-te de ti mesmo e dá o salto mortal: Deus é, e basta!
Solta-te do teu ideal e assume, com gosto e felicidade, essa Realidade que supera toda realidade: DEUS É E BASTA!
Então reconheceras a Perfeita Alegria, a perfeita Liberdade e a Perfeita Felicidade.
Clara calou-se. Sem perceber o o irmão deixou cair lagrimas tranquilas. Uma embriagues, parecida com o amanhecer do mundo, apoderou-se completamente de Francisco. Sentia-se imensamente feliz.
Deus é e basta, repetia soluçando.
(trechos do livro o Irmão de Assis, Inácio Larranaga)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pequena via ou via do AMOR?

"Ó Farol luminoso do amor, eu sei como chegar a Ti, encontrei o segredo de me apropriar de Tua chama."

A pequena via de Santa Teresinha é o caminho espiritual adotado pela santa para se chegar ao céu. É o caminho das almas pequenas e humildes, que se reconhecem fracas demais para chegar ao céu sozinhas; almas que muito mais que serem perfeitas preferem o caminho de serem filhas amadas de Deus.
É também o caminho da infância espiritual, da criança amada pelo Pai que não tendo forças de caminhar sozinha estende os bracinhos e pede colo, sabendo que seu “papaizinho” jamais deixará de vir ao seu socorro.
Veja abaixo o que diz nossa mestrazinha:

“Meu caminho é todo de confiança e de amor, não compreendo as almas, que têm medo de um amigo tão terno. Às vezes, quando leio certos trados nos quais a perfeição é mostrada mediante mil entraves, cercada de uma multidão de ilusões, meu pobre espiritozinho logo se cansa, fecho o sábio livro que me quebra a cabeça e seca meu coração e pego a Sagrada Escritura. Então, tudo me parece luminoso, uma só palavra abre à minha alma horizontes infinitos, a perfeição me parece fácil, vejo que basta reconhecer seu nada e abandonar-se como uma criança nos braços do Bom Deus. Deixando às grandes almas, aos grandes espíritos os belos livros que não posso compreender, ainda menos pôr em prática, alegro-me por ser pequena, pois que só as crianças e os que se lhes assemelham serão admitidos ao banquete celeste. Fico feliz porque há muitas moradas no reino de Deus, pois senão houvesse senão aquelas cuja descrição e caminho me parecem incompreensíveis, eu não poderia entrar nele.”

Essa espiritualidade é acessível a todos e trás a santidade para bem pertinho de nós, pois consiste basicamente em fazer as coisas ordinárias de forma extraordinária.
O entendimento que tenho é que Santa Teresinha percebeu que somente o amor pode realizar prodígios e milagres e para tanto conclui que onde não há humildade não há amor. Inteligente como era se apropriou do AMOR e fez dele a chave de toda sua vocação.
Sim! Para o amor não existe fronteiras! Ele chega aos pequenos e aos grandes, pode ser realizado por todas as almas. Onde palavras, gestos heroicos, prodígios e portentos não podem chegar, devido às diversas circunstâncias, o AMOR vem e domina os territórios.
Mas o amor verdadeiro é desinteresseiro. É gratuito e humilde.
Jesus diz que o caminho da santidade é um caminho que leva a uma porta estreita:
"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram." (Mateus 7,13-14)

Raros são os que a encontram, diz Jesus. E como não deve ser pior para os grandes! Depois de terem percorrido um caminho árduo e difícil, encontrarão dificuldade em passar pela porta estreita, onde podem passar os pequeninos. Mas não será assim para a criança!
Uma criancinha cabe em qualquer lugar, atrai para si a graça dos adultos e é o encanto da casa.
Ser humilde e pequeno, ter confiança absoluta no bondoso Pai é ser essa criança que poderá passar pela porta estreita e roubar o céu, conquistado tão ardorosamente pelas grandes almas.

"Sempre desejei ser uma santa (...) O bom Deus não inspira desejos irrealizáveis, eu posso, portanto, aspirar à santidade apesar de minha pequenez. Tornar-me grande, é impossível. Devo, pois, suportar- me tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via, bem reta, bem curta (...) Eu quereria encontrar um elevador para subir até Jesus, porque sou pequena demais para escalar a áspera escada da perfeição. (...) Ah! o elevador que me fará subir ao Céu são vossos próprios braços, ó meu Jesus!" (Santa Teresinha do Menino Jesus)

O caminho de santidade proposto por Santa Teresinha possuem elementos simples, capazes de ser realizados por qualquer alma de boa vontade:
•    Primeiro, como já dissemos, é preciso se fazer criança. Não uma criança mimada que espera que todos os seus desejos sejam realizados no mesmo momento. Mas a criança que confia absolutamente no amor e carinho de seu Pai; que é capaz de se jogar em um precipício se lá de baixo ouvir seu paizinho dizendo: Vem!
A criança simples, que não faz rodeios, é sincera diante de Deus, e, portanto livre, feliz e confiante.
•    Abandono! O doce perfume dos santos! Uma vez que como crianças confiamos totalmente em Deus, nos resta apenas nos abandonar. Aceitar a cruz do dia a dia e renunciar a si mesmo, buscar todas as formas de fazer pequenos sacrifícios para tornar Deus amado. Abandonar-se nos braços da Santíssima Trindade e Dela receber TUDO com alegria, tanto as rosas como os espinhos. Ser feliz por se saber amada e cuidada por um Deus que ama e que é Pai.
•    E para tanto é preciso ser pequeno, ser Humilde, reconhecer-se pecador e incapaz de atingir a santidade sozinho. Não basta apenas o reconhecimento, é preciso exercer a humildade, imitar a Jesus que em tudo se fez pequeno.

Escolhi para minha vida essa espiritualidade. E tem muitos que se incomodam com isso. Vejo o quanto é difícil agradar aos homens, ainda bem que eu não me preocupo com isso! E se temos uma função importante, como no meu caso a de fundador, a maioria das pessoas criam expectativas a nosso respeito e por muitas vezes esperam de nós realização de rodízios e milagres visíveis, como se ser pequeno e simples não fosse uma condição digna de admiração.
Ate mesmo dentro da Igreja vemos o quanto as pessoas se preocupam com cargo, aparências e status. Nada disso tem importância para Jesus que deseja apenas que vivamos dia a dia o AMOR.
Amo Santa Teresinha e tenho-a como minha mestra porque ela foi uma santa comum. Não realizou grandes prodígios como os mártires; não escreveu vários tratados de fé como os filósofos e teólogos; não fez grande penitencias e inúmeras obras de caridade – não estavam ao seu alcance. Mas viveu tudo isso no desejo e aceitou dia a dia cada acontecimento, tornando seus pequenos sacrifícios flores lançadas no crucifixo.
Foi uma religiosa comum. Atraiu-me também porque amava a arte, fazia bordados, pintava quadros e encenava peças de teatro. Viveu tudo conforme a sua época e procurou tirar o que tinha em suas mãos como forma de amar a Deus e ao próximo.

A mim em especial, trouxe uma esperança, de “que posso, apesar de minha pequenez, aspirar à santidade”.
Hoje não por imitação, mas por inspiração sinto meus desejos se entrelaçarem com o dela, o desejo de AMAR E FAZER DEUS AMADO.
Sinto-me impotente e pequena, mas saber que não estou sozinha, que tenho companheiros na terra e no céu com esses objetivos, faz toda a diferença.

"Sobretudo, sinto que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo, de comunicar às almas minha "pequena via". Se o Bom Deus realiza meus desejos, meu Céu se passará sobre a terra até o fim do mundo. Sim, quero passar meu Céu fazendo bem à terra." "... minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo"

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Jesus ensina-me a Humildade!

Queridos irmãos
Em minhas orações pessoais de hoje, senti um apelo muito grande de Deus para que todos nós buscássemos a humildade.
Que a humildade e´ o caminho seguro para se assemelhar ao coração de Jesus.
Pedi ajuda aos meus amigos do céu e lembrei-me dessa oração de Santa Teresinha.
Partilho-a com vocês no dia de hoje, para que seguindo o exemplo dos santos possamos encher nossos corações do desejo pelas virtudes, em especial a humildade.

Oração para alcançar a humildade (Santa Teresinha)

Ó Jesus, estando Vós sobre a terra, dissestes: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para a vossa alma." Ó poderoso Monarca dos Céus, a minha alma acha o seu repouso contemplando-Vos revestido das aparências e da natureza de escravo, abaixando-Vos até lavar os pés aos Vossos discípulos. Recordo, ó Jesus, as palavras que, para me ensinardes a humildade, pronunciastes nessa ocasião: "Eu vos dei o exemplo, para que, assim como eu vos fiz, assim vós também façais. Não é o discípulo maior do que o seu mestre... Se sabeis estas coisas, bem-aventurados se as praticardes".
Senhor, eu compreendo estas palavras saídas do Vosso coração, manso e humilde, e quero praticá-las, ajudada pela Vossa divina graça. Quero humilhar-me e sujeitar a minha vontade à de minhas irmãzinhas, sem nunca contradizê-las, sem investigar se têm ou não sobre mim direito de mandar.
Ninguém, meu Deus, tinha este direito sobre Vós, e todavia obedecestes, não só à Santíssima Virgem e a São José, mas até aos Vossos algozes! E na Santa Eucaristia pondes o cúmulo ao Vosso aniquilamento.
Com que humildade, ó Divino Rei da glória, obedeceis a todos os sacerdotes, fervorosos ou tíbios no Vosso divino serviço! Eles podem apressar ou retardar a hora do sacrifício, e Vós estais sempre pronto a descer do Céu.
Ó meu bom Jesus, como Vos mostrais manso e humilde debaixo do véu da hóstia imaculada!
Ah! não poderíeis Vos humilhar demais para me ensinar a humildade! Para corresponder, pois, ao Vosso amor, quero colocar-me no último lugar e partilhar Convosco as humilhações, afim de ter parte Convosco no reino dos Céus. Suplico-Vos, Divino Jesus, me mandeis uma humilhação toda vez que ousar elevar-me sobre os outros.
Mas oh! como sou fraca; de manhã proponho ser humilde, e à noite reconheço ter pecado por orgulho.
Vendo-me tal, sou tentada a desanimar, mas sei que também o desânimo é orgulho. Portanto, quero fundar a minha esperança somente em Vós, meu Deus.
E já que Vós sois todo poderoso, concedei-me esta virtude, muito desejada. E para que eu seja atendida, repetirei: "Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso!"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O dia em que o sol não se puser!


Ultimamente tenho ouvido muito nos meios de comunicação indagações, previsões e conclusões sobre o final dos tempos.
Existe uma verdadeira margem de terror nos acontecimentos. As pessoas presas ao medo e ao anuncio de catástrofes esquecem-se da grande promessa de Deus para a humanidade.
E a esperança no fim dos tempos onde fica?
Nossa Senhora em suas aparições sempre diz para não temermos os acontecimentos futuros, porque deverão temer os que não se converterem a Deus.
Se nosso grande objetivo é estarmos diante de Deus, deveríamos então ver a Parusia como o grande e sonhado momento de nossas vidas!
O dia em que a manhã será Eterna, o sol não dormirá, e, aliás, nem se precisará mais do sol porque Cristo nos iluminará!
Porque somos tão atraídos pelas desgraças e deixamos de viver a graça?
Quantas pessoas prevendo o fim do mundo, temendo os acontecimentos e colocando pavor nos filhos de Deus.
Jesus mesmo nos ensina em Mateus 24 que ninguém sabe o dia, pois o Senhor virá como um ladrão. E diz mais ainda que como o relâmpago que parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do homem; ou seja, será visto por toda a humanidade ao mesmo tempo e anunciado pela trombeta dos anjos!
Fazendo uma Lectio Divina sobre Marcos 13 esses dias a trás, fiquei como rhema o versículo 10: “Mas primeiro é necessário que o Evangelho seja pregado a todas as nações.” Jesus estava falando sobre o martírio que os apóstolos sofreriam, mas que se cumpririam apenas depois deles anunciarem o Evangelho.
Trazendo para nossos dias de hoje, quantas nações e povos que ainda não conhecem o Evangelho e que ainda não conseguiram conhecer o AMOR? O que estamos fazendo para que o Evangelho seja anunciado, o AMOR SEJA AMADO e o maior número de pessoas se converta e seja salva?
Queridos irmãos, tenho comigo que a Misericórdia de Deus fez com que o GRANDE DIA ainda não chegasse para que nós tivéssemos tempo de nos salvar e salvar nossos familiares, amigos e quem estiver ao nosso alcance...
Há mais de 30 anos nossa Senhora aparece em Medjugorje pedindo a conversão e a oração pelos incrédulos, e há muito mais tempo Ela vem preparando a humanidade para o reinado de Deus.
Vamos acolher o pedido de nossa Rainha, e sem temor, “pois no verdadeiro amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora todo o temor”(I Jo 4,18), vamos nos preparar para o DIA FINAL como quem se prepara para uma grande festa.

E como a festa só é completa se nela está todos os que amamos, vamos fazer a toda à humanidade o convite para que também possam AMAR E FAZER DEUS AMADO.
Intercedamos por aqueles que nossa evangelização não consegue atingir e preparemos nossas vestes de festa, por que:
“Quando o sol não mais se pôr todos estarão com vestes brancas, e louvores entoarão ao Deus que é Santo, forte, justo e fiel!” (Ministérioa Adoração e Vida, Louvores Entoarão)

Relativismo


Você já parou para fazer um diagnóstico se não foi contaminado pelo vírus do relativismo? Como fumaça de satanás, cada vez ele se infiltra mais em nossa vida Cristã.
O mundo tem como permissividade o que muitos filósofos chamam de liberdade humana. Na busca de uma falsa liberdade, hoje em dia tudo se tornou permitido. Aos poucos as coisas foram se tornando normais e os valores éticos e morais deturpados. Preservar a castidade, virgindade até o casamento, são coisas que o mundo designou como quebra de tabus a fim de se conquistar uma liberdade.
Para o relativista tudo pode e cada um faz seus próprios valores, conforme lhe convém. “Que mal tem os namorados fazerem sexo, sexo é amor, eles se amam, foi Deus que criou?” Deparamos com pensamentos do tipo: “Por que não usar métodos preventivos não naturais de natalidade, a camisinha, a pílula foi tudo criação do homem por permissão de Deus, que mal faz, não está roubando, não estou matando, todo mundo faz, se tornou normal.” A discussão do aborto saiu do campo moral e passou a ser considerado questão de saúde pública,  deste modo está se tornando natural matar uma criança, para diminuir os atendimentos hospitalar das mulheres que fizeram aborto mal feito, o aborto está se tornado legítimo sob o argumento de que a mãe tem direito sobre o seu corpo e que é para o bem da população. “Sou católico mas concordo com o uso de camisinha! Acho que os padres deveriam se casar e as freiras poderiam celebrar missa, a igreja é muito retrógrada.” Assim sem perceber a pessoa vai se tornando um niilista de carteirinha, onde tudo pode, tudo me convém, basta seguir o fluxo, dançar conforme a música.
Combater todos esses pensamentos e principalmente esse do qual o santo Padre intitula a ditadura do relativismo, é cumprir nossa missão de profeta. Tantos males já assolaram a igreja, tantas heresias a deixaram calejada durante esses milênios, e sempre vozes proféticas do meio do povo ergueram-se a fim de fazer valer a voz do Cristo, a voz do evangelho, ou seja, a voz da verdade, sempre libertadora, sempre a favor da vida, sempre voltada ao amor.

É você que está lendo esse artigo e se considera um Cristão verdadeiro, o convidado a mostrar ao mundo que a Igreja não é retrograda, ultrapassada, que a vida consagrada não está envelhecida e mofada, temos sabor, temos luz, temos essência no corpo de Cristo e ainda hoje nosso sangue se une ao dos mártires para se tornar semente.
Semente de novos cristãos, semente de Vida, sementes que geram frutos de AMOR.

O “Eu” fragmentado pela sociedade Moderna


Quando nos deixamos contaminar pelas tendências e influências da sociedade moderna, vivemos uma intensa fragmentação do nosso eu interior. 
Deixamos de ter em vista a nossa verdadeira identidade e diante das exigências sociais tendemos a representar diferentes papeis, onde muito deles não tem absolutamente nada a ver com o que realmente somos, existem apenas por uma questão de conveniência.
Em vista de bem estar, prazer e honra, deixamos de viver o agora, tudo está voltado para o futuro. E assim, tristemente os dias vão passando, o hoje se vai, e o Amor não é amado.
É agora que existem crianças sendo abortadas, é agora que famílias estão sendo destruídas, é agora que o homem está jogando fora toneladas de alimento porque para seu lucro e para que não caiam de valor é melhor jogar que dar a quem precisa, é agora que existem tantas e tantas faces do Cristo como fome sem quem dê de comer, com sede sem quem dê de beber, com frio sem quem dê de vestir, peregrino sem ninguém para acolher, doente ou na prisão sem ninguém para visitar.
Somos comunidade para o mundo, inspiração do Espírito Santo para o tempo de hoje para as necessidades atuais da Igreja. Não desprezando o mundo, mas amando-o compreendendo-o e dando aquilo que ele precisa para ser melhor.  Não sendo coniventes com os abusos e nada do que fira a dignidade humana, denunciando toda a forma de desrespeito e banalização da vida.
Somos a primavera da Igreja para que possamos flori-la com todas as cores e perfumes de fé, esperança e caridade

A vida é um breve instante


Muitas pessoas no mundo, quando não estão presas no passando, passam suas vidas preocupadas com o futuro.
Dessa forma o nosso irmão Tempo, uma das primeiras criaturas de Deus, de nosso amigo, criado para que fosse dominado por nós como toda a criação, se torna nosso inimigo.
Nunca temos tempo para nada. Não temos tempo para praticar exercícios, para “perder” com amigos queridos, para brincar com os filhos, para fazer uma peregrinação.
Ao tempo também se associa o dinheiro. Para ter sempre mais e mais tomam todo o seu tempo buscando formas de ganhar dinheiro.
Se o homem moderno tivesse conta que a vida é um breve instante, que como nos lembra São Tiago em sua carta: “Pois o que nossa vida? Sois um vapor que aparece por um instante e depois se desvanece.”. Ah se tivéssemos esse entendimento! Gastaríamos melhor nosso irmão Tempo.
Tomaríamos nosso futuro com perspectiva de Eternidade, e faríamos de tudo para ganhar o Céu. Vivendo a vida presente de forma a gastar cada segundo com o que deveras importa: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todo o resto lhe será dado em acréscimo” (Mateus 6,33)
Tenho certeza que existiriam no mundo muito sorrisos, amizade, solidariedade, boas músicas, bons exemplos, saúde física e mental, AMOR... Muito menos stress, fome, doença, guerras e falta de Paz.
E então amados, vamos construir um mundo melhor tendo o Tempo como nosso aliado?
Comece refletindo que só temos HOJE para amar!

A amizade com os céus.


Muitas vezes ouvimos relatos de pessoas dominadas pelo poder das trevas em que adquirem forças sobrenaturais para quebrar correntes, levantarem pesos, etc.
O que as pessoas muitas vezes se esquecem é que os demônios são anjos maus, mas de natureza angélica, ou seja, como os maus os Anjos bons também possuem o poder de intervir na vida dos homens. Mas estes o fazem de forma benigna, amorosa e a serviço de Deus.

São os anjos que acolhem suas orações e levam até o coração de Deus, são eles também que nos sopram a vontade do Senhor, que protegem o nosso caminho e que também muitas vezes nos dá aquele auxílio sobrenatural que apenas um agraciado pode ter.
Espantamos-nos tanto com a ação do mal que nos esquecemos de ver a ação do bem. Dia a dia Deus tem nos amado e nos guiado pelos seus Anjos e Santos e isso não nos surpreende, mas quando vemos uma ação das trevas nos surpreendemos e muitas vezes nos esquecemos quem combate por nós.
Devemos ter uma amizade com o céu. Não podemos fazer dos Santos e Anjos produtos como de prateleiras de supermercado, onde me recorro a eles apenas em novenas, promessas ou quando espero que estejam ao meu bel prazer.
Devemos cultivar essa amizade acreditando que um Céu existe, acreditando que as pessoas que amamos e se foram mudaram apenas a forma de presença, mas continuam vivas: muitas vezes precisando de nossas orações e outras vezes intercedendo por nós.


Ter amizade com o Céu é ter os olhos fixos na Glória de Deus. Saber que Ele sempre cumpre suas promessas, tanto as feitas por Jesus de que estaria conosco até o fim da vida, como a de que um dia voltará em sua Glória para nos buscar.
Amemos o Céu, amemos as coisas e pessoas do Céu e provemos nosso amor em atos de amizade como ensina nossa Igreja: queimando uma vela pelos mortos, santos e anjos, oferecendo missas, rezando aos Anjos e acima de tudo estando atenta a voz de Deus nos comunicada por meio deles.


O Céu é nosso, e toda a corte celeste, nossos amigos!

Quem é esse Deus que se faz tão pequeno?

Sempre que paro para meditar na figura de Jesus fico estarrecida, boquiaberta de admiração e paixão por esse Deus tão presente, tão fiel e amoroso. Que mistério se esconde em cada ato seu!

De todas as figuras de Jesus destaca-me seu jeito de se fazer “pequeno”, humilde, encontrar a pérola escondida na ostra de cada ser humano, e conseqüentemente amá-los como ninguém jamais amaria.
É lindo ver Jesus repreender seus discípulos quando diz: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino do céu...”(Lc 18,16); ou ainda: “quem quiser ser o primeiro no reino dos céus que seja o último” (Mt, 20,16); “Bem aventurado os mansos... os pobres de espírito... os puros de coração...” (Mt 5 s.); “Vinde benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo... pois tive fome e me deste de comer, tive  sede e me deste de beber, era peregrino e me acolheste, nu e me vestiste, enfermo e na prisão e me visitastes... em verdade eu vos declaro, toda vez que fizeste isso a um deste irmãos mais pequeninos foi a mim mesmo que o fizeste.” (Mt 25, 34-40)



Sou apaixonada pela festa da Anunciação, dia 25 de março! Nestes tempos modernos onde nós Cristãos temos que lutar tanto para preservar a vida e combater o aborto, vemos na Anunciação todo o Amor de Deus aos pequeninos na forma de embriões. Amor este que fez com que o próprio Deus se tornasse um deles.
Medito na música dos Anjos de Resgate e Celina Borges e fico imaginando, como no relato da música, exatamente o que teria acontecido: Os anjos dos céus todos na expectativa, os infernos tremendo, e a pequena Maria, humilde menina, prostrada diante do Arcanjo Gabriel enquanto pronuncia seu “Fiat”. Imagino a Luz esplendorosa do Espírito Santo a envolvendo, iluminando a face da menina e resplandecendo a essência de Escolhida, de Preparada, Rainha e Mãe da Humanidade.


Dando ainda “corda” a imaginação, contemplo Jesus, nosso doce, obediente e humilde Amor. Basta o Fiat da Virgem e o céu se abre em festa, os anjos entram em coro, a Trindade se movimenta em Amor. O Verbo se faz carne no ventre de Maria. É o momento em que Jesus se faz mais pequenino. Um simples embrião fecundado pelo Espírito no óvulo de uma Virgem. Que Deus é esse que se faz tão pequeno?!
A promessa feita á Mãe é que Ele seria grande, o Rei das nações. Ela acreditou. Mesmo quando tudo parecia contrário e as evidências mostravam o Corpo de seu filho morto em seus braços, não duvidou porque aprendeu de Jesus que “Deus faz essas coisas para confundir os sábios” (ICor 1,27) e que “quem perder sua vida por amor a Deus e ao Evangelho, ganhá-la-á” (Mc 8,35). Somente quem é pequeno, pobre, totalmente despojado de si e repleto de Deus entenderia esse mistério!
E o que mais surpreende meu coração é que Jesus não se faz pequeno apenas por um momento. Não se faz apenas no tamanho se tornado um embrião, ou em sua missão sendo ultrajado, humilhado, morrendo por amor a nós. Ainda em sua Glória se faz pequeno, quando promete que estaria conosco todos os dias e institui a Sagrada Eucaristia!

O que é Jesus Eucarístico senão aquele mesmo Jesus Pequenino no ventre, ou Menino no seio de Maria?
Em sua Majestade Ele não precisava ser embrião e nem pão. Não precisava depender dos cuidados de uma mãe que o ensinasse a falar, comer, caminhar... Não precisava na obediência aos Sacerdotes descer do céu e se submeter à solidão dos sacrários, aos cuidados e zelos dos ministros e sacristãos... E tantas e tantas vezes ao desprezo daqueles pelo o qual Ele quis se tornar alimento.
Então pergunto mais uma vez: Quem é esse Deus que se faz tão pequeno?
Diante de tanto amor e tanto mistério, só me resta fazer a súplica de São Francisco: Meu Deus quem és Tu e quem sou eu, o que eu entendo do mundo, do amor, da vida? E conseqüentemente concluir: só Deus É, Só Deus Basta! Ele é perfeição, Ele é Verdade, Caminho e Vida.
Que possamos como a Virgem Maria dar a cada dia o nosso sim ao mistério da pequenez.
Que ela mesma seja o nosso Modelo de Capela.
E que como na Encarnação Deus se fez pequeno para crescer no ventre da Virgem Maria, que na Santíssima Eucaristia Ele não fique no sacrário e sim encontre outro útero que possa espiritualmente gerá-lo para o mundo e fazê-lo ainda viver pequeno, quando estiver em nós, pecadores.
Quando nos olharem e enxergarem o Cristo, entenderemos o Mistério, conheceremos o Amor, experimentaremos a Graça de ser escondido em Cristo.
Virgem Mãe, Capela de Cristo. Faz de nós também geradores!
Amém.

Tu és o Virgem Maria a linda flor de Nazaré.


Do céu a estrela mais bela, da terra a videira mais fecunda.
Se as montanhas pudessem lhe dar louvores de ti diria: É firme como tua fé, morada de Deus por merecimento.
Se os pássaros também assim o fizessem, cantariam: É livre como o vento no espaço, seu manto são asas que também nos fazem voar e cantar.
Se o mar falasse sobre ti sussurraria: Ah que mistério esconde teu olhar, mais profundo do que a mim é seu desejo de amar!
E o firmamento então diria: Brilha mais que lua, reflete raios que vem do Alto!
Dos anjos já ouvimos dizer de ti: Ave cheia de Graça, o Senhor é contigo.
E de Jesus Menino, o que ouviríamos? Mãe, mamãezinha...
E de braços estendidos um pedido de colo, de afago e acalento.
Se tu és Bendita entre todas as mulheres, oh Mãe; se todas as criaturas te proclamam Bem Aventurada; se Jesus se fez pequeno em seus braços, se deixou moldar por seus cuidados... O que resta a mim pobre criança que nada sabe fazer?
Resta-me apenas imitar Jesus, imitar os pássaros, as estrelas, as montanhas, o mar, os anjos e santos... E concluir:
Sou toda tua mamãezinha, molda-me segundo a vontade de nosso Senhor.

Partilha sobre o Natal

Sem dúvida Jesus é o nosso maior presente!


Veio do céu e se fez carne para estar conosco e  nos arancar da solidão! Santa Teresinha tinha uma frase muito propícia onde dizia "Não é para ficar no Cibório de ouro que Jesus desce cada dia do Céu, mas sim para achar outro Céu: o céu da nossa alma onde Ele toma e encontra suas delícias".
Esse pensamento dela sobre a Eucaristia foi aplicada na minha espiritualidade pessoal em um dia de natal.
Durante muitos natais, desde minha infância, eu sempre me entristecia por perceber que Jesus não tinha voltado. Pois de alguma forma foi criada em minha alma infante, talvez por histórias, que Jesus voltaria no dia de Natal. Como um mendigo bateria na minha porta e eu teria que acolhê-lo e assim depois descobriria ter acolhido o Filho de Deus.
Era triste ver chegar a hora da grande noite e só encontrar o papai Noel; ainda mais que eu era pobre e papai Noel nunca tinha presentes cobiçados para mim; acho que isso fez com que eu tivesse essa antipatia pelo “bom velhinho”!
Mas quando comecei a mergulhar no amor de Deus tive uma experiência única. Foi no Natal de 2002.
Tinha feito o propósito pessoal de que aquele advento e consequentemente Natal, seria diferente em minha vida.
Lembro-me que montamos na garagem de nossa primeira casa – Casa Apostólica São Miguel, o maior presépio que já fizemos até hoje. Foi neste dia que conheci também o Dilson, um artesão, amigo e companheiro que nos ajudou nesta empreitada.
Agente queria muita luz, estrelas, bichinhos, casinhas... Que todo mundo que passasse pela rua parasse para olhar e admirar a alegria do natal.
A outra preparação foram nossas novenas de Natal. Saíamos de casa em casa rezando, cantando e louvando. Encontrávamo-nos em um ponto e em procissão íamos para a casa escolhida. Neste ano o João Paulo, um dos primeiros membros da Comunidade, criou a  nossa tradicional novena baseada em Francisco e Teresinha.
Conhecemos muitas famílias, alguns deles se tornaram membros e amigos íntimos da vocação Sal e Luz, como o caso do Odair e sua família.
Inspirada na frase de Santa Teresinha acima, eu havia feito o propósito de criar todas as expectativas dentro de mim para que ao receber a Santa Eucaristia na noite de Natal, saber assim estar recebendo nos braços o próprio Recém Nascido de Belém.
Participamos no dia 24, apenas alguns de nós, na missa da Igreja São José, com a Toca de Assis.
Tudo foi mágico naquela missa, apesar de não ter nada de diferente da nossa linda liturgia de Natal, mas muito mais pela minha adesão e preparação, eu sentia que a expectativa era outra. Para mim, foi o marco de um novo nas minhas preparações e formas de encarar o Natal.
Na hora da comunhão, fomos nos aproximando pouco a pouco diante do presbitério. O padre Roberto pegou várias grossas partículas consagradas que mal cabiam em minha boca.
A experiência foi mais linda ainda porque neste ano eu já era consagrada a Jesus por meio da Virgem Maria e também já havia feito os meus primeiros compromissos na Comunidade.
Foi então que com a boca repleta da Eucaristia que fechei os meus olhos e pude sentir a presença esplendorosa de um manto... Em minha experiência particular, o padre em sua casula de festa tinha dado lugar à Virgem Maria e agora era ela mesma que colocava seu Menino nos meus braços.
Cada particulazinha de Jesus que entrava no meu estomago, ia sendo transformado e oxigenado para todas as veias do meu corpo, iam também transformando a minha alma, fazendo do meu coração um céu. Nunca tive uma experiência tão profunda e indescritível com a Eucaristia e com o tempo do Natal!
Fomos embora às cinco da manhã meio que abobados, em silêncio e com um sorriso no rosto. Foi o primeiro de muitos momentos bons com Jesus Menino.
Lá fora, no caminho de volta pra casa, olhávamos e víamos pessoas festejando na rua, quebrando garrafa, brincando, trocando presentes... E pensava sem nem ter forças de dizer: ninguém é mais feliz que eu! Encontrei o Maior Presente, o Maior Tesouro, e Ele me habita!
Essa experiência me ajudou e me ajuda a cada ano, quando a primavera começa a chegar, parece que os pássaros e as cores das flores já anunciam que logo chegará este tempo mágico e especial; onde posso recomeçar com o ano litúrgico uma nova vida e enquanto espero Jesus Voltar em sua Glória, poder experimentar esse mesmo Jesus, pequenino, humilde e escondido na Hóstia Consagrada.
Partilho isso com todos para incentivá-los.
Não somente no natal mas em todos os dias Jesus se propoe a descer em nossos corações, fazer morada em nossas almas e curar todas as nossas feridas.
Que a cada dia possamos acolher Jesus Menino e pequenino que se enclina a nós somente por amor.

Meus sentidos são presentes de Deus.


Muitas vezes nos esquecemos de que o ser humano não é apenas corpo.
A pessoa toda do ser humano se faz por um corpo, uma alma e um espírito.
Não que espírito e alma se dissociem, mas dentro de cada alma humana existe um lugar secreto e insondável do qual a teologia chama de espírito. Este lugar é onde o próprio Deus nos habita teologicamente chamado de coração.
Os nossos sentidos: paladar, tato, olfato, visão e audição, foram presentes fundamentais que o Bom Deus nos deu para fazer a interface do homem com sua alma.


Quando os sentidos estão ordenados, exercemos plenamente a função para qual fomos criados. A ordem prática é Deus guiar e comandar o homem, assim o espírito dirige a alma que governa o corpo.
Com os sentidos ordenados somos capazes de desenvolver o que Santo Agostinho chama de sentidos espirituais e assim somos mais facilmente guiados por Deus. Pois nossos ouvidos estão atentos à voz do pastor; nossos olhos são capazes de enxergar a dimensão espiritual de nossas vidas; nosso olfato nos coloca no tempo presente e nos ajuda a distinguir entre o bem e o mal; e nosso paladar e tato nos ajuda a nos relacionarmos uns com os outros como Deus nos ensinou.
Infelizmente hoje não é isso que predomina no mundo; a desordem dos sentidos faz com que o ser humano seja dominado por sua carne, e a busca do prazer pelo prazer torna o homem escravo de satisfazer suas vontades: Come-se mal e nem se sente o gosto da comida, estimula-se os vícios e as dependências; somos insensíveis ao “toque” do  irmão, incapazes de comungar de seus sofrimentos; enxergamos o mundo segundo a lógica da nossa vontade e do nosso prazer; e acima de tudo damos ouvido às vozes da carne que grita em nós (Gálatas 5, 17).
A Igreja como mãe nos dá a ascese e a prática das virtudes como combate e exercício de ordenação de nossos sentidos.
O jejum nos ajuda a dar valor ao que comemos refrear a gula, pensar na caridade. Ouvir a palavra de Deus, fazer orações, praticas de piedade e acima de tudo saber silenciar um pouco diante deste mundo tão corrido, nos ajudará a entrar em contato com o nosso interior e colocar as coisas em seu devido lugar.
Refrear e ter domínio sobre nossas vontades é muito importante. Sempre devemos parar e perguntar ao nosso querer se ele vem da carne ou do Espírito. Sempre digo aos filhos da vocação Sal e Luz que se fazemos apenas o que queremos ou gostamos, corremos o risco de sem perceber impedir que Deus haja em nossas vidas.
Como anda a ordem de sua vida?
Quem governa quem?
Sua carne ou seu espírito está no comando?
Que a Virgem Pura e os seus anjos nos ajude a encontrar o caminho para nosso “Castelo Interior”.
Paz e Bem a todos!

Vagas em aberto


Precisa-se de especialistas de ESPERANÇA.

Eles estão em falta no mercado e o mundo corre sérios riscos sem esses profissionais atuando.
Cadastre-se hoje mesmo e concorra ao cargo.
Seus ganhos são indiscutíveis: renda fixa de felicidade; transporte gratuito para a verdade; seguro de vida eterna em caso de acidentes; vale refeição de animo e coragem; previdência privada depositadas direto no banco do céu; comissão mensal e participação dos resultados anual de todas as vendas efetuadas.
Para ser uma especialista da ESPERANÇA é preciso:
Ter olhos diferenciados e perspicaz, capaz de olhar um dia nublado e enxergar nele a beleza da chuva trabalhando em auxílio do sol, para que seus raios não sequem os brotos do chão.
Ter paciência com as contrariedades. Saber enfrentar os vários obstáculos da vida, acreditando que tentar não custa nada e vale a pena se desafiar para ser feliz.
Ter responsabilidade com os pequenos atos. Se o mundo hoje está poluído, ter a certeza que será um pouco mais limpo se cada um se preocupar em não jogar papel no chão. Se o mundo hoje anda em guerras, ter a certeza que será um pouco mais pacífico se eu engolir um desaforo no transito. Se o mundo hoje está pobre, ter a certeza que será um pouco mais rico se eu doar daquilo que tenho material e principalmente se eu souber doar AMOR.
Não basta ser bilíngue! É preciso ser poliglota! É preciso falar a língua do rico, do pobre, do pecador, do deprimido, do otimista, do cientista e do religioso. E não basta saber falar a língua, é preciso manter diálogo e saber manter acessa a esperança em cada um.
Ser graduado na escola da caridade. Um agente da esperança precisa ter cumprido todas as grandes dos ensinamentos do AMOR. Só o amor o fará não desistir da esperança em casos de dor, sofrimentos, angustia, solidão e traição, pois somente as matérias que fazem parte da grade do AMOR ensinam a dar sentido a todas as circunstancias da vida.
Um agente da ESPERANÇA precisa ter doutorado na escola da FÉ.
Não trabalha para a ESPERANÇA quem não acredita em um mundo diferente, em políticos não corruptos, em educação para todos, em famílias reconstruídas, crianças com lares, natureza preservada, justiça, trabalho e... acima de tudo: QUEM NÃO ACREDITA NO CÉU.
Acreditar no céu é a principal missão de um agente da ESPERANÇA.
Porquanto ela só exista enquanto aguardamos por Ele, a chegada do motivos de nossas esperanças.

Você? Pode trabalhar para a ESPERANÇA?

O que é ESPERANÇA?

Um viajante no tempo procurava motivos que justificassem tantos desencontros na vida. Guerras entre povos, miséria de muitos em contradição com tanta riqueza de poucos, progresso dos ricos e morte das florestas, dos rios e dos animais, pobreza profunda dos homens, seus irmãos.

Caminhava o viajante nos desatinos da vida. Interrogava as estrelas, o vento, as tempestades. Estava já prestes a concluir sua pesquisa:
-Tudo é vão debaixo do sol! Não há sentido e nem lógica nos acontecimentos, nas coisas e tristezas abaixo do céu! Até mesmo os momentos mais alegres, um dia acaba... As pessoas mais felizes um dia se vão!
Desolado resolveu sentar e esperar passar os dias, até chegar o momento em que com certeza tudo acabaria.
- Não fique aí esperando o tempo passar. Ressoou uma voz de passarinho que rodopiando pelo ar pousou em derredor. E após pousar conclui seus argumentos.
- És um viajante pensativo, procuras razão e esquece da emoção.  Busca a verdade em volta de si e esquece-se de procura-la dentro do homem. Conclui seus pensamentos com suas lógicas e esquece-se de perguntar quais os motivos que fazem permanecerem vivo os outros que ainda lutam.
Lembra-se homem dos lugares tristes por onde passou? Da pobreza cruel e desigual que enfrentou? Das angustias que em toda parte viu o mundo provar?
Já parou pra perguntar por que muitos desses que sofrem não param como você e ficam apenas a esperar? Já se questionou que se realmente tudo é fim, porque o mundo continua a girar?
Parou o viajante um pouco em interrogação, meio que perguntando a si as respostas das perguntas do passarinho.
- Oh! Pequeno pássaro, - disse o viajante – és pequeno, mas tem asas, enquanto caminho sobre os pensamentos, tu voas! Responde-me então? Se tudo chega ao fim pra que perder tempo esperando chega-lo, porque não adiantá-lo e se poupar?
Respondeu o passarinho:

- Você, criatura amada e deseja por Deus, esculpida com detalhes e perfeição, recebeu na criação uma pequena luz, uma fagulha de estrela, um combustível espiritual capaz de o manter vivo eternamente! Os animais todos desejariam tê-lo ganho, mas foi somente tu, o homem, digno de recebê-lo.
-Eu tenho? Onde está que não encontro? – Respondeu o viajante rabugento, achando ser tudo isso mais uma lorota de passarinho.
- Muitos não sabem mais como encontra-la, outros ainda nem sabem o que precisam encontrar, aí desiste como você. Mas ela, a fagulha de estrela está lá, esperando ser acionada, esperando ser reconhecida.
E continuou o pequeno pássaro com o grande ímpeto de convencer o homem:
- Ela é milagrosa. Se busca-la com Fé, ela é capaz de mudar situações adversas... Dar novos rumos a caminhos perdidos... Ser companheiro dos que há muito tempo esperam... Matar a fome dos que não tem o que comer, quando ela suscita, faz o pobre ter gratidão pelo que tem e não desejar o que não tem... Faz reviver sentimentos há muito tempo adormecido... E o homem volta a ser criança, a acreditar que vale a pena porque milagres podem acontecer.
Ela é a tempera dos mártires, a coragem dos cavaleiros, o balsamo dos feridos, a cura para os moribundos e a certeza final dos que amam...
Se hoje no mundo existe dor, corramos até a esta pequena estrela. Ela é a passagem para o paraíso.
Se hoje no mundo a linguagem é a da escravidão e da mentira, a pequena estrela é a enciclopédia da verdade. Único meio de tornar o homem livre.
Se hoje no mundo existe guerra e desamor, não desistiremos de lutar no lado que parece perder, no lado do perdão e do amor... Ela, a estrela, nos ensina que vale muito mais perder uma guerra contra os que lutam com armas desonestas do que perder os motivos que nos mantem vivos e nos fazem lutar, esperar chegar o final.
Admirado então perguntou o viajante!
- Onde brilha esta estrela de cura, este presente em forma de dom, a lâmpada de sentinela para a vida? Busco por essa amiga... Onde?
- Em um lugar secreto e privilegiado..., nas longínquas e solitárias montanhas do pensamento..., nas cavernas profundas de sua imaginação..., no portal de domínio de todas as faculdades mentais... E nos labirintos mais ajardinados do coração humano.
 Nos lugares eternos onde somente ela, a pequena ESPERANÇA pode habitar, nas situações onde somente ela pode ainda manter acessa a chama da vida, onde calmamente ela continua sua missão firme de ESPERAR.
 - E o que espera a Esperança? Pergunta o viajante que acaba de conhecer algo que muitos dos que passam pelo mundo já deixaram de acreditar.
- Que se chegue o fim! Responde o passarinho.
- O fim? – Diz meio desapontado o viajante. Mas porque o fim?
 - Ora caro viajante, diz o pássaro - E o que é o fim, se não o começo do que é eterno?
Uma luz brilhou no coração do viajante, já podia ver as coisas de forma diferente e não sentia mais vontade de esperar. Ao contrário sentia o impulso de correr, sabendo que iria chegar.
Como um bom diplomata, o viajante fechou os olhos, colocou a mão no coração e se apresentou:
- Muito prazer pequena estrela que me habita e que eu desconhecia. Eu sou o homem moderno, viajante do tempo, conhecedor da filosofia, dos astros e da ciência... Só não conhecia muito meu interior. Seja bem vinda à minha companhia, a mudar as cores que meus olhos enxergam o mundo, os acordes que meus ouvidos ouvem e a trocar dos meus lábios as lamurias, para que eu chegue até o fim, com uma única e bela canção.
- A esperança diz obrigada, - piou o passarinho que entende melhor que o homem a língua da Esperança.
Então disse mais uma vez o viajante:
Pequena estrela antes de sairmos pelo mundo, em expedições rumo ao horizonte, permita-me te conhecer apenas um pouco mais. 
Esperança, qual o teu nome, tua missão? Qual tua verdadeira essência?


- Minha missão querido homem, é única e simples, sou a ponte que te liga a Deus, em um extremo meu está a FÉ e no outro a CARIDADE.  E meu único desejo é te fazer CONFIAR NO AMOR.

Ter o coração de Jesus


Existem muitas constatações lindas a cerca do Coração de Jesus, desde seu coração aberto pela lança do soldado de onde se derramam sangue e água, até os milagres e fatos que decorreram à devoção ao Sagrado Coração, bem como a constatação pela ciência que a Eucaristia é uma parte da carne do coração de um homem (Lanciano).
Todavia sou tomada pelo Espírito Santo a enveredar no caminho que o próprio Cristo diz de si mesmo:
SER MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO.

“Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque EU SOU manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.” (Mateus 11, 29)


Jesus como homem possui um autoconhecimento profundo. Ele sabe quem Ele é, para que veio e para onde voltará. E um grande passo para termos o conhecimento de Deus e a imitação de Cristo é o autoconhecimento. Já ensinava os padres do deserto: “Se queres conhecer a Deus, conheça primeiramente a si mesmo” (Evágrio Pontico).

Talvez seja por isso que hoje uma das imitações mais difíceis de fazer de Jesus é ser Manso e Humilde de Coração. Conhecemos-nos muito pouco, nos enganamos muito com nossas paixões, vontades e intenções a cerca dos acontecimentos. Nossas palavras ou opiniões muitas vezes escondem a verdade dos fatos.
Para que possamos entender um pouco melhor o ensinamento de Jesus, precisamos nos atentar no significado Bíblico para coração, mansidão e humildade.
A bíblia é a grande riqueza do cristão, contudo para os cristãos mais acomodados e desinteressados muitas palavras podem se limitar apenas ao seu significado simplório, oriundo de traduções ou interpretações populares. Muitas palavras das quais traduzidas hoje para nossa língua possuem significados bíblicos diferentes ou mais profundos do que elas realmente aparentam. Neste caso inclui-se CORAÇÃO.


CORAÇÃO → Para nós ocidentais o coração é a sede da emoção, quando estamos apaixonados dizemos que nosso coração “palpita” ou “dói de saudade”, e muitas vezes quando queremos escrever amor, fazemos essa substituição por um desenho de um coraçãozinho!
Biblicamente falando, seu significado é outro. O coração é a sede da DECISÃO, principalmente as decisões mais essenciais da vida de um homem. Teologicamente o coração é chamado de sede da alma, lugar mais profundo e misterioso do ser humano, lugar onde Deus o habita.
Quando na Bíblia lemos mansidão não temos apenas um sentido de ausência de ira ou preocupações, a mansidão especificada por Jesus se aproxima mais das palavras paz, pobreza de coração, pureza.
Conseqüentemente a humildade, vem do húmus – terra. Aceitar a natureza humana, compreender dela a limitação e também a Graça de Deus.
Quando Jesus se diz ser manso e humilde de coração, não está sendo contrário à sua própria fala como se vangloriando. É como se Ele nos dissesse: Aprendam minha doutrina, descansem em mim porque tomo a decisão de lhe aceitar como és não faço de ti um julgamento supérfluo, conheço teu interior e coração (em todos os sentidos possíveis) e encontrareis em mim repouso para sua alma!
Se nos aprofundarmos ainda mais no que diz Jesus sobre seu coração e sobre a forma como Ele nos acolhe nos encontraremos com um ensinamento da Igreja nos dado pela Patrística: “A pureza de coração é um estado de clareza e pureza interior, de amor como abertura para Deus. Para alcançar a pureza de coração é necessário lutar: Portanto para alcançar a pureza de coração e o amor é necessário que façamos tudo quanto realizamos por meio de obras ascéticas; pois elas são instrumentos que podem libertar nosso coração de todas as paixões prejudiciais que nos atrapalham no progresso para a plenitude do amor. Assim nós praticamos o jejum, as vigílias noturnas, o recolhimento, a meditação das Sagradas Escrituras, etc. por almejarmos a pureza de coração, que consiste no amor.” (Anselm Grün)
Assim podemos dizer que Ascese é: Exercício pelo qual o ser humano se exercita numa atitude de apatheia, um estado de Paz interior em que estamos abertos para Deus, em outras palavras pureza de coração. Em outras palavras também, uma decisão tomada pelo coração de AMAR.
Nisso podemos concluir de uma forma bem simples que tanto a pureza de coração, como o amor, a ascese e o autoconhecimento e a liberdade interior estão intrinsecamente ligados. Onde um sempre é recorrência do outro.
Ascese → pureza de coração; amor.


Pureza de coração → autoconhecimento.

O conhecimento exato das emoções e paixões é a condição prévia para podermos lidar adequadamente com elas. E a meta de nossa luta é, por sua vez, a apathéia, isto é, a liberdade interior.
Ao contrário do que muitas vezes imaginamos a liberdade interior não é ter a coragem de falar tudo o que pensamos em qualquer momento, essa é uma visão muito pobre e mal feita de liberdade interior. Muito mais que isso, a doutrina da Igreja nos ensina que essa liberdade tão ansiada na espiritualidade é fruto de um coração que seja pobre, principalmente de si mesmo, que conheça suas fraquezas e por isso compreenda a fraqueza do próximo, tome sempre atitudes mansas de humildade, paz e amor, e que acima de tudo tenha a pratica das virtudes por meio da ascese sua maior ferramenta para adquirir a verdade. A liberdade interior é a constatação de que Deus É em sua vida.
Sendo assim eu posso me fazer algumas perguntas e auto avaliar-me se estou realmente tendo um coração manso e humilde como o de Jesus.
Acho-me sempre o dono da verdade?  Julgo que os trabalhos de meus irmãos estariam melhores se não estivesse na mão deles? Tiro conclusões e faço julgamentos precipitados por cima das aparências, sem tentar antes ouvir o outro lado? Levo outros irmãos através de meu palpite ou opinião a também julgar o irmão, a comunidade ou um fato? Sinto-me injustiçado e incompreendido se as pessoas discordam de minha opinião? Tenho coragem de ir ter com meu irmão ao invés de falar mal pelas costas? Meus pensamentos estão sempre férteis e prontos para tomar todas as decisões e argumentações diante dos fatos antes mesmo de saber a verdade?
Jesus é sempre aquele que mesmo diante dos fatos consumados, como no caso da pecadora pega em adultério, nunca julga pelas aparências, sabe humilhar-se e colocar-se no chão com a pecadora, e quando ela está a sós com Ele, oferece seu perdão. Jesus vive apenas o momento do agora, o pecado da mulher já é passado, Ele a olha como ela realmente é naquele momento uma vitima sendo exposta por pecadores incapazes de reconhecer seus próprios pecados. Somente quem vive no presente consegue ser livre! Jesus não passa a mão na cabeça da mulher, no momento oportuno, quando todos se foram pede para que não volte a pecar e assim revela como funciona seu Coração.
Quando Jesus diz aprendam de mim que sou manso e humilde de coração, Ele está dizendo meu irmão que deseja que você se conheça de verdade, tome a decisão de AMAR acima de tudo e viva na plena felicidade de se saber livre em Deus, livre interiormente e conseqüentemente em PAZ!

Jesus Manso e Humilde de Coração,
Fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!

Família, o sonho de Deus para o homem!


“O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente... O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.”... Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem. “Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem.” Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.” (Genesis 2, 7;18;21-24)

 
A família é um sonho de Deus para o homem desde os primórdios da criação. O homem criado por Deus para AMAR e a exemplo da própria Trindade viver uma mútua entrega de amor encontra nos laços familiares, no “ser família”, a essência desse amor em PLENITUDE.
Por muitos anos e ainda hoje é pouco entendida pelos cristãos a riqueza das palavras de Genesis diante da criação do homem. Foram-se muito simplificado e compactado de sentidos o ser “Homem” e ser “Mulher”.
Conseguimos ver os reflexos negativos de tudo isso na sociedade. Não se conhece mais o papel de cada ser humano, perde-se referências do que é certo, errado, justo ou injusto. Em busca de uma liberdade cujo preço é justamente ser escravo de preceitos que nos leva a esquecermos de quem somos, perdemos referências preciosas para a criação dos filhos, formação da família e o que é certo e errado na sexualidade humana, ainda que isso contrarie brutalmente a natureza.
É nítido ver que valores como esses (que podem se traduzir com casamentos homossexuais, aborto, feminismo, etc.) não comunicam exatamente a essência do ser humano e muito menos satisfaz seus desejos mais profundos de felicidade. Uma vez que no homossexualismo o homem jamais se completará quanto ser humano; que no aborto além da crueldade e atentado a vida, as conseqüências morais e psicológicas causadas na vida das mulheres que as praticaram a tornará um ser inseguro, confuso e deprimido; e no feminismo sempre terá um lado injustiçado: quando as mulheres tomarem o controle será a vez dos homens lutarem por igualdade... Será um circulo vicioso de disputa que jamais acabará. Tanto homem quanto mulher passa pela criação sem descobrir a beleza de SER O QUE É.
Para que fique um pouco mais claro vamos fazer uma reflexão sobre as palavras de Genesis.
“O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Genesis 2, 7). Esse versículo narra a criação do ser humano, criação Divina como as plantas, animais e todo o mundo. Digo aqui “ser humano” e não homem apenas no sentido masculino. Isso não significa que o ser humano foi criado andrógeno, como alguns mitos e culturas acreditavam. Podemos comprovar isso em Genesis 1, 27: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.” Ou seja, homem e mulher foram criados juntos, no mesmo instante por Deus, por Deus que vive na eternidade, onde não existe o tempo cronológico que conhecemos. A narração de Genesis 2 sobre a criação humana deseja nos revelar muito mais do que as entre linhas encontradas. A esse ser humano Deus o fez a sua imagem e semelhança. Nós estudamos na teologia que enquanto o Pai amava e contemplava o Filho, a ação deste AMOR (Espírito Santo), moldava o ser humano. Se Deus é somente AMOR, o ser humano foi feito para amar.
“O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.”” (Genesis 2, 18). Podemos traduzir melhor uma ajuda adequada (ēzer kenegedô) por Auxílio Divino, Providência de Deus. Mas porque precisaria o homem de um auxílio Divino já que foram criadas todas as coisas e dada a ele para dominar? Porque diante de toda a criação estaria sozinho? Realmente o homem estava em domínio de toda a criação, mas com nenhum ser criado ele poderia viver totalmente a entrega e plenitude de AMOR como vive o próprio Deus. Na criação o ser humano é convidado a cuidar e dominar, quando Deus lhe dá um Auxílio Divino é pra que ambos se completem, se auxilie e nenhum seja maior que o outro. Nesse momento Deus sonhava ao homem que vivesse em família! E quando envia Eva para ser esse auxílio, não a submete um papel de “auxiliar” do homem, como se fosse inferior. Vejo nesse versículo um dos papeis e missões mais lindas da mulher: “ezer” – o próprio Deus vem em providência e manifesta essa providência na criação da mulher. A mulher assume a missão de ser o socorro de Deus, o enviado de Deus na vida do homem e da humanidade. Assim como o homem em seu papel é aquele que é chamado a ajudar Deus a administrar sua criação. Cada um com uma missão, ambos dependentes um do outro e como veremos abaixo completando a si mesmos.
”Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem” (Genesis 2, 21-22). Outro erro muito comum que encontramos na interpretação bíblica é a palavra costela. A palavra hebraica “Tzela” é uma palavra com dois significados: lado ou metade e costela, (como manga em nossa língua portuguesa que pode significar tanto parte de uma blusa ou um fruto). Ao traduzir a bíblia por vários motivos, tanto mitológicos, simbólicos, etc. foi-se adotada a tradução costela. O que para nós delimitou muito o sentido verdadeiro de que a mulher foi feita da metade do homem. Ou seja, Deus criou o ser humano dividindo-o em duas partes. Um é parte do outro e juntos formam um ser humano.
Esse novo sentido nos comunica a vontade de Deus que fez o homem e a mulher para se completarem, para que possuindo cada um, características particulares, sexualidade e temperamentos próprios pudessem acolher um ao outro e AMAR. Sendo ambos feitos simultaneamente por Deus e divididos em suas características físicas e psicológicas, a fim de que um sempre busque pelo outro, ou como falamos no popular: “sinta falta da outra metade da laranja”.
Todo homem e toda mulher precisam das características de um e de outro para formar sua personalidade, para se sentir completo se sentir ser humano. Este é o papel do pai e da mãe na família diante da criação dos filhos, do esposo e da esposa na relação conjugal. A própria natureza em sua biologia e psicologia comprova como homem e mulher se completa, como foram feitos para gerarem vida, dando continuidade à criação.
É chamado por muitos de preconceito dizer que casais homossexuais não podem adotar crianças. Porém, dizer que um casal homossexual não pode adotar filhos é seguir os padrões naturais da vida e zelar pelo equilíbrio familiar. Constatar o que a própria natureza já diz, filhos são gerados de homens e mulheres, e ambos contribuem para a formação do novo indivíduo. É assim biologicamente e é assim também para a formação psicológica dos filhos adotados que precisam de mãe e pai. E muitos poderiam se perguntar: Mas e as famílias em que o pai ou a mãe morreu, ou mães solteiras, etc.? Aquela figura que falta, seja pai ou mãe, será sempre buscada de alguma forma compensatória, por um avô/avó, tio/tia, professor/professora, e os falecidos terão sempre uma memória de suas características, personalidades... Que contada contribuirá para a formação e identificação dos filhos. Quando duas pessoas do mesmo sexo assumem o papel de pai e mãe extingue para a criança o direito de se formar e se completar com a outra face de sua humanidade, não aquela face que fisicamente determina o que você é, mas aquela que lhe completa como ser humano.
Hoje isso é uma grande ferida na sociedade. Pessoas com relacionamentos homossexuais sofrerem muito, tanto da “discriminação” que se sentem vítimas (como se a própria natureza fosse discriminadora por terem os feito como é) como pelos conflitos pessoais e psicológicos que vivem em se sentir contrários a sua natureza. Porém não é aceitando ou dando “jeitinhos” nos problemas que garantiremos a felicidade destes nossos irmãos que sofrem e precisam ser amados e compreendidos. Só a VERDADE é capaz de libertar, só o AMOR poderá curar uma sociedade ferida em sua sexualidade e em sua identidade. Na busca constante do homem de saber o que é, de onde veio e para onde vai, existe além do empirismo, uma verdade de fé sublime: homem e mulher, feitos a imagem e semelhança de Deus, com características físicas próprias que se completam e dá continuidade à vida, a existência do ser humano.
E por fim, ”“Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem.” Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.” (Genesis 2, 23-24)
Este é o sonho de Deus para o ser humano! Viver em família, poder olhar a cada manhã para seu esposo e esposa e dizer: Eis o meu auxílio divino, eis o socorro do céu. Poder ver na criação dos filhos a participação na criação de Deus. Formar pessoas de caráter íntegro, justo e que contribuam para que a sociedade seja mais reta, mais plena e feliz.
Até Jesus quando nos visitou em sua encarnação quis nascer de uma família, embora sendo filho de Deus e se utilizando da carne de Maria, recebeu José como pai adotivo, que lhe ensinou a ser justo e a adquirir o caráter de homem, pai, mestre e pastor das almas.
 Até os celibatários que entregam sua virgindade a Deus são chamados a viver em família, uma vez que a dimensão familiar não se baseia na dimensão genital ou de procriação biológica, e sim de uma sexualidade de relações amigáveis que se completam em seus estados, capaz de gerar uma maternidade/paternidade espiritual que toma toda a criação como fonte de cuidado, zelo e amor. Só se consegue viver essa plenitude do celibato quem se encontrou em sua identidade pessoal, quem em sua formação humana foi completado pelo sexo oposto, seja numa relação filial, fraterna ou mesmo amorosa em alguma etapa de sua vida. Todo homem precisa do carinho de uma mulher, ainda que seja somente durante a infância; toda mulher precisa do cuidado de um homem em alguma fase de sua vida. Somente assim poderá conhecer e identificar na criação a face de Deus que é PAI E MÃE.
Destruir o modelo criado por Deus de família é deturpar o sentido verdadeiro do AMOR. É pouco a pouco escravizar homens e mulheres ao ponto de que não possam mais se encontrar, se reconhecer nem mesmo como ser humano, e parte da natureza e da criação. É destruir no homem sua imagem e semelhança de Deus.
Sagrada família, Rogai por nós.